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A Copa chegou a Teixeira de Freitas, mas o bom senso ainda não

17 de junho de 2026
A Copa chegou a Teixeira de Freitas, mas o bom senso ainda não

Imagem ilustrativa

Durante a manhã deste último sábado (13), finalmente pareceu que a Copa do Mundo havia chegado a Teixeira de Freitas. Após dias de um entusiasmo tímido, o centro da cidade amanheceu tomado pelas cores da Seleção Brasileira. Camisas amarelas por todos os lados, consumidores correndo para as compras de última hora, bandeiras tremulando nas janelas dos carros e o som inconfundível das vuvuzelas ecoando pelas ruas.

Por alguns momentos, a cidade parecia um enorme campo de girassóis. A ficha, enfim, pareceu cair. Depois de um longo atraso, o espírito da Copa do Mundo se apoderou dos teixeirenses.

O problema é que a empolgação das arquibancadas não encontrou correspondência dentro das quatro linhas.

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A estreia da Seleção foi decepcionante. Um empate com sabor de derrota. O jornalista esportivo Mauro Cezar Pereira resumiu bem o cenário ao afirmar que "a distância entre uma equipe competitiva de fato e isso que o Brasil coloca em campo é realmente abissal".

Foi uma estreia com cara de fim de feira. Daquelas que deixam mais dúvidas do que esperanças. Talvez, se Carlo Ancelotti estivesse mais preocupado em treinar a equipe do que em participar de comerciais de cerveja, teríamos um time verdadeiramente competitivo.

Mas, se a Seleção deixou a desejar em campo, houve quem conseguisse fazer ainda pior fora dele.

Mais uma vez, repetiu-se a lamentável tradição da soltura de fogos. Mesmo diante de um resultado que pouco havia para comemorar, os estampidos tomaram conta da cidade. E não foi um fenômeno exclusivo de Teixeira de Freitas. A cena se repetiu em diversas partes do país, como se um empate medíocre representasse a conquista de um título mundial.

Entretanto, a discussão vai muito além da falta de critério para comemorar.

Passamos anos debatendo inclusão, conscientização e respeito às pessoas autistas. Multiplicaram-se campanhas, palestras e ações educativas alertando sobre os impactos do barulho excessivo. Ainda assim, basta uma partida de futebol para que tudo isso seja ignorado em questão de segundos.

Os fogos causam sofrimento real. Crianças autistas podem enfrentar crises severas diante dos estampidos. E também os animais de estimação que entram em pânico, fogem de casa, apresentam convulsões e, em casos extremos, chegam a morrer em decorrência do estresse provocado pelo ruído.

A verdade é que a esmagadora maioria dos teixeirenses desaprova essa prática. Nem é preciso entrar no mérito dos impactos sobre autistas e animais para perceber isso. A simples poluição sonora já basta para transformar a diversão de alguns no incômodo de milhares. Trata-se de uma minoria barulhenta, inconveniente e incapaz de compreender que viver em sociedade exige respeito ao próximo.

Talvez mais difícil do que entender a celebração exagerada por uma atuação digna de futebol de várzea seja compreender por que nenhum vereador ainda apresentou um projeto de lei sério para enfrentar essa questão.

A pauta reúne apoio popular, possui justificativas humanitárias evidentes e beneficia praticamente toda a população. Pais de crianças autistas, tutores de animais, idosos, trabalhadores que precisam descansar e cidadãos que apenas desejam paz em suas próprias casas certamente apoiariam uma iniciativa nesse sentido.

Se alguma autoridade decidir encarar o problema de frente, não precisará se preocupar muito com a próxima campanha eleitoral. Estará marcando um verdadeiro golaço que ficará para a história.


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Fonte: Por Luiz Oss