Buscar
Buscar
logo

A metafísica das pequenas coisas e do cotidiano na poesia de Cynara Novaes

04 de setembro de 2026
A metafísica das pequenas coisas e do cotidiano na poesia de Cynara Novaes

Erivan Santana e Cynara Novaes durante lançamento de "Delicadeza" – Imagens: arquivo pessoal/divulgação

Por Erivan Santana 

A importância das pequenas coisas e do cotidiano se revelam por inteiro no novo livro "Delicadeza" (Editora Toma Aí um Poema, 2026), da poeta teixeirense Cynara Novaes.

O livro, que à primeira vista se mostra ao leitor sem maiores pretensões, a não ser a celebração da literatura e em especial da poesia, onde se percebe a preferência da autora em captar a sutileza e as entrelinhas das coisas simples e do cotidiano, vai além, ao abordar temas existenciais, como o tempo, a saudade, as relações humanas e as intempéries da vida.

A metafísica das pequenas coisas e do cotidiano na poesia de Cynara Novaes

Tudo isso ocorre de forma natural, com uma sucessão de poemas sem títulos, mas conectados entre si, o que deixa a leitura mais atraente e com surpresas, a cada virar de página. Não há concessões para formalismos ou proposta de bem-estar ou beleza gratuitos, imperiosamente fazendo-nos lembrar de Cecília Meireles: "... não sou alegre nem sou triste: sou poeta...".

>> Clique aqui e participe do Canal VEJAESSA no WhatsApp

Nessa mistura de sentimentos e inquietudes, há espaço também para a celebração da vida, com todo o seu fascínio e plenitude, como neste poema:

A vida estendia-se 

sobre o quintal 

como nada quer. 

Na quietude das manhãs, 

fazia-me rir 

enquanto pintava de vermelho 

o verde das maçãs. 

Por vezes, ela me invadia 

no intuito de agradar, 

e nesses momentos 

eu me encolhia 

como se dissesse: 

"nem tanto, nem tanto". 

Fazendo jus ao nome "Delicadeza", que está inscrito nos corpos, na vida e nas pequenas coisas, podendo ser forte, pungente e complexo, revela também as dores e intempéries que nos desafiam, ao longo da nossa existência, como neste outro exemplo:

Primeiro,

achou que era doce,  

tão somente porque era belo, 

E não era. 

Depois, 

pensou ser terno, 

tão somente porque parecia. 

Mas não era. 

Anoiteceu  

em sal, 

só e 

ferido em tudo, 

porque viver dói.

Desta forma, a poeta vai retratando a vida, entre alegria, deslumbramento, melancolia e esperança, porque ao colocar tudo isso na poesia revela seu desejo íntimo: a proposição da felicidade, que é o que, no fundo, a poesia tende a desejar e oferecer, como num dos últimos poemas a fechar o livro:

Posso dar nomes às coisas. 

Nomeei a chuva de presente 

e os presentes de delícias. 

A alegria, chamarei de permaneça 

e tudo o que pode magoar, 

Amnésia.

Assim, Cynara Novaes mostra em "Delicadeza" todas as possibilidades que a poesia pode oferecer, com muita grandeza e originalidade, porque optou pelo caminho das coisas pequenas e do cotidiano, de maneira simples e sutil, com um único objetivo: expor seus sentimentos e fazer literatura, porque a poesia pode curar as dores da alma e propor novos futuros. Por isso vivemos e esperamos. 

Em tempo: o livro receberá uma moção de aplausos na sessão final de 2026 da Academia Teixeirense de Letras (ATL).

Para adquirir a obra, clique neste link.


..............

Fonte: Vejaessa – Redação