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Após a eliminação do Brasil, qual seleção devo torcer?

06 de julho de 2026
Após a eliminação do Brasil, qual seleção devo torcer?

Imagem ilustrativa: reprodução/internet

Por Luiz Oss

O sonho do hexa foi adiado mais uma vez. Mas a Copa do Mundo continua. Com a eliminação do Brasil pelos vikings noruegueses, resta-nos escolher uma seleção para torcer. Para aqueles que não têm um plano B, apresento o guia definitivo para escolher uma seleção para chamar de sua — pelo menos pelas próximas duas semanas.

Inglaterra? Nem pensar

Inventaram o futebol. Muito obrigado. Mas também inventaram o imperialismo em escala industrial.

No auge do império, chegaram a dominar cerca de um quarto das terras emersas do planeta, oprimindo povos de diversas nacionalidades.

França? De jeito nenhum

A França gosta de posar de arauta dos direitos humanos. Mas o famoso lema da Revolução — "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" — não se aplica às suas antigas colônias africanas, que sofrem até hoje os reflexos da exploração.

Espanha e Portugal?

Os dois foram responsáveis por dividir a América do Sul como quem reparte uma pizza de mussarela. Em hipótese alguma.

Seu tataravô, que lutou bravamente na Batalha de Pirajá, se reviraria no túmulo se o visse comemorar um gol de Cristiano Ronaldo.

Bélgica? Sem chance

Se você conhece um pouco da história do Congo, já sabe do genocídio perpetrado pelo rei belga Leopoldo II, que ceifou cerca de 10 milhões de congoleses. Esqueça!

Estados Unidos da América?

Aí já é sacanagem.

Torcer para o país do tio Sam, depois de intervirem militarmente em mais de 70 países, seria o equivalente futebolístico à síndrome de Estocolmo.

Não, obrigado. Próximo.

Suíça?

Sua neutralidade chega a ser irritante. Como normalmente acontece com quem fica em cima do muro, acaba sempre caindo para o lado dos opressores. Vamos partir para outra seleção.

Argentina? Está brincando comigo?

Minha aversão aos hermanos vai muito além da velha rivalidade histórica. Vestir a camisa da seleção albiceleste é o mesmo que trajar o capuz pontiagudo da Ku Klux Klan.

A torcida argentina é, disparadamente, a mais racista de todo o Cone Sul. Muitos se orgulham do "sucesso" das políticas de embranquecimento da população. De fato, o número de negros no país do tango é bastante reduzido — e nenhum deles tem chance de ser escalado para a seleção.

Não tem como torcer para a Argentina, a não ser que você não veja problema nenhum em ser chamado de "macaquito" pelos hermanos. Um absurdo completo. 

Marrocos

É uma opção interessante. Uma ex-colônia africana que já mostrou que pode enfrentar gigantes sem pedir licença.

Tem meu respeito.

Colômbia

Vizinha latino-americana. Compartilha boa parte das nossas alegrias, tragédias e contradições.

Quando um sul-americano levanta a taça, pelo menos ela continua deste lado do Atlântico.

Egito

Uma das civilizações mais antigas do planeta. Construiu pirâmides quando boa parte da Europa ainda vivia em cavernas. Respeito total.

Noruega?

Calma, permita-me explicar... Eu sei que eles acabaram de eliminar o Brasil. Mas, curiosamente, nunca foram uma potência colonial comparável às grandes metrópoles europeias. Hoje possuem um dos Estados de bem-estar social mais admiráveis do mundo, proporcionando saúde e educação gratuitas para toda a população.

Um exemplo de país a ser seguido.

O critério final

Diante de tudo o que foi dito, talvez você já tenha feito sua escolha. Ou se convenceu por algum desses argumentos, ou simplesmente os desconsiderou por cultivar afinidade com alguma nação, mesmo que ela tenha colonizado outros povos ou invadido algum país em busca de petróleo.

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Mas, para aqueles que dizem que não se deve misturar futebol com política, vale uma pergunta: por que clubes como St. Pauli e Rayo Vallecano insistem em levantar bandeiras contra a homofobia e o racismo? Por que a torcida do Livorno se opõe aos torcedores fascistas da Lazio? Por que o Liverpool adotou um posicionamento crítico às horrendas políticas neoliberais do governo da ex-primeira ministra Margaret Thatcher? 

Futebol e política se misturam porque, antes de sermos torcedores, somos animais políticos, como dizia o velho Aristóteles.

Portanto, torçam, mas sempre do lado do oprimido, jamais do opressor. Faça a sua escolha.


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Fonte: Vejaessa – Redação