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Após intercâmbio, estudante da UNEB revela uma China bem diferente da imagem propagada no Ocidente

25 de julho de 2026
Após intercâmbio, estudante da UNEB revela uma China bem diferente da imagem propagada no Ocidente

Fotos: Divulgação

por Luiz Oss

Em entrevista concedida ao jornalista Luiz Oss, o estudante Luan de Jesus Santos Aguiar, do curso de Letras – Língua Inglesa e suas Literaturas, do Campus X da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Teixeira de Freitas, relata a experiência de participar de um intercâmbio de 15 dias na China. Segundo ele, a viagem não apenas ampliou sua formação acadêmica e profissional, mas também desconstruiu diversas percepções que carregava sobre o país. Luan afirma ter se surpreendido positivamente com o nível de desenvolvimento, a organização urbana, a infraestrutura, a tecnologia e a qualidade de vida observados durante a estadia, ressaltando que a realidade chinesa é muito diferente da imagem frequentemente retratada e difundida por parte da mídia ocidental.

Após intercâmbio, estudante da UNEB revela uma China bem diferente da imagem propagada no Ocidente

O estudante Luan de Jesus Santos Aguiar

Após intercâmbio, estudante da UNEB revela uma China bem diferente da imagem propagada no Ocidente

Confira a entrevista na íntegra: 

1) Qual foi o papel da UNEB na viabilização dessa experiência? De que forma a universidade contribuiu para que vocês chegassem até a China?

Essa viagem foi 100% viabilizada graças a UNEB! Ela contribuiu com o transporte e alojamento em Salvador antes do voo e na volta para Teixeira, junto com as passagens aéreas. Além disso, é claro, a UNEB fechou parceria com a universidade anfitriã que nos forneceu dormitórios e as três refeições principais gratuitamente. Toda a organização e fechamento de parceria foi feito por meio da Secretaria de Relações Internacionais da Universidade – também conhecida como SERINT.

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Dá para colocar na ponta do lápis, também, os estudos culturais que fizemos com a ida à museus, à Grande Muralha da China, a exploração do Rio Haihe e afins. Portanto, não há dúvidas de que sem a UNEB não conseguiríamos ter tamanho aprendizado cultural e linguístico em mandarim. Jovens como eu, e tantos outros daqui do Extremo Sul da Bahia estão apenas esperando o momento e a visibilidade para ascender socialmente e colocar seus próprios dons a serviço da sociedade. Por conta disso, a educação pública de qualidade é a chave para o crescimento da nossa nação.

2) Antes da viagem, qual era a imagem que você tinha da China? Após vivenciar o cotidiano do país, quais percepções mudaram mais? Há aspectos da realidade chinesa que diferem significativamente da imagem frequentemente apresentada pela mídia ocidental? Quais exemplos mais chamaram a sua atenção?

Mais especificamente sobre Pequim, eu acreditei que a vista do céu seria uma grande selva de pedra como a capital de São Paulo. Pelo contrário, não sobrevoei um cenário poluído, mas pude vislumbrar um excelente balanço entre o verde e os prédios. É possível observar do avião como a cidade é planejada. Construções enormes, alinhadas em quarteirões acertadamente quadrados e intercalados com uma área considerável de vegetações. Fiquei vidrado comparando o cenário da capital da China com a urbanização que estamos acostumados a ver no Brasil.

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Ao sairmos do aeroporto, fomos rumo ao nosso destino final: a cidade de Tianjin, que fica a mais ou menos 3 horas de distância de Pequim. Ao longo do trajeto de ônibus, perpassamos por diversas cidades e fomos observando os carros, as construções e as paisagens para tentar encontrar pontos que se valessem de críticas. Criamos a expectativa de encontrar certo ponto da China que fosse de algum modo distópico. Era como se, no nosso interior, quiséssemos encontrar alguma precariedade para julgar “olha lá, é isso que estão tentando esconder! ”. Longe disso, só vimos carros modernos nas estradas, de marcas que não temos nenhum conhecimento. Era um modelo de veículo mais bonito que o outro. Se eu disser que vi um carro simples na China, como um Fiat Uno ou um Celta eu estou mentindo (e muito menos vi carros aos pedaços). Por outro lado, vi sim, em pontos esporádicos, casas precisando de pinturas e quarteirões relativamente mais humildes que seus arredores.

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3) Como foi a recepção dos chineses aos estudantes brasileiros? Houve curiosidade em relação ao Brasil? De maneira geral, como você avalia a convivência da sociedade chinesa com estrangeiros?

Tianjin é uma metrópole, e mesmo assim, eles são muito curiosos com estrangeiros! Eu particularmente me senti um famoso nas ruas. Discretamente, alguns tiravam fotos de nós por conta da admiração e da raridade de ver pessoas com fenótipos tão diferentes dos deles. Os mais jovens pediam para tirar fotos e usavam da oportunidade para se comunicar e praticar a língua inglesa. Nos estabelecimentos eu fui muito bem recebido, o pessoal de Tianjin tem muita boa vontade em ajudar, especialmente se você tentar conversar no idioma deles. Um fato curioso que boa parte dos intercambistas perceberam foi que muitos chineses achavam que éramos estadunidenses. Esse primeiro olhar muitas vezes fazia com que a recepção deles fosse um pouco mais fria. Assim que dizíamos da onde somos, a expressão do rosto mudava da água para o vinho. “Nossa, vocês são do Brasil. Que legal! Neymar! Futebol! ”. Imediatamente, o povo de Tianjin se tornava muito mais receptivo.

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Na minha avaliação, os cidadãos de Tianjin são muito solícitos quando são chamados, mas evitam se intrometer onde acham que não devem. Por exemplo, em diferentes instantes, uma colega torceu o pé e outra passou mal por pressão baixa. Nesses momentos de crise, ninguém procurou “pescoçar” como fazemos aqui no Brasil. Geralmente nós ficamos curiosos com o acidente e daí oferecemos ajuda. No entanto, nenhum chinês se aproximou quando estávamos aglomerados prestando ajuda aos nossos pares. Acredito que isso se deu porque eles pensaram “Ora, se já tem gente ajudando, então está tudo bem”.

Dentro da universidade a relação já é diferente, pois os alunos chineses já estão acostumados a ver estrangeiros. Não há alarde e são raros os cumprimentos de "olá" e "bom dia". Cada um cuida de seu próprio afazer. Existem também os estudantes e o corpo de professores que, de alguma maneira, já estabeleceram vínculos conosco. Esse último grupo é bem mais caloroso.

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Houve um episódio em que nosso celular estava perto de descarregar, e precisávamos usar um ponto de power bank público. Não conseguimos nos registrar no aplicativo para fazer o pagamento e utilizar o aparelho, e então pedimos ajuda para fazer o registro. Nesse momento, dois jovens se ofereceram a pagar o serviço para a gente. Fizemos amizade e estamos conversando até o momento com eles através da rede social chamada Weixin (Wechat).

4) Qual foi o maior choque cultural que vocês tiveram ao chegar à China? O que mais surpreendeu vocês na organização das cidades e na vida cotidiana da população?

Beber água quente foi certamente uma das coisas de maior de dificuldade de adaptação. A água da China não é potável como a nossa, e, portanto, você precisa comprar garrafas de água mineral, ou tomá-la depois de fervida. Ainda por cima existe a crença milenar de que a água quente é medicinal. Eu comprava litros pra deixar no meu quarto, e quando a garrafa da minha bolsa acabava, eu tinha uma garrafa de água quente já em temperatura morna pronta pra ser tomada.

Dentro da universidade o intervalo entre as refeições era muito curto. Estudávamos e já comíamos, e assim, repetíamos esse ciclo até às 16 horas da tarde, na nossa janta.

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Todos os banheiros fora do meu dormitório, sem exceção, não tinham vasos sanitários. Eles possuem o costume de fazer suas necessidades de cócoras, que diga-se de passagem é a posição ideal para isso. Foi uma experiência cômica e difícil de ter força nas pernas nos primeiros dias.

A respeito de se acocorar, as pessoas têm o costume de fazer isso em qualquer lugar para descansar. Acredito que esse é um dos motivos de haver quase nenhuma cadeira nos shoppings.

5) Como vocês descreveriam a qualidade da infraestrutura, do transporte público, da segurança e dos serviços públicos? De que forma esses fatores influenciam a qualidade de vida da população?

Existem câmeras em todas as ruas. Muitas pessoas de fora da China associam esse fato com a falta de liberdade, e pressupõe que na China ninguém comete delitos e todos são extremamente regradinhos. Perdi as contas em ver carros em cima da faixa de pedestre, pessoas fumando dentro do banheiro quando há anúncios explícitos para não se fazer tal e etc...

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As câmeras estão lá, mais a serviço da população do que para o controle dos corpos. Eu tive o privilégio de encontrar um chinês que morou no Japão da sua infância à vida a adulta. Conversamos de modo descontraído na língua japonesa e ele me disse que ele se sente mais seguro com as câmeras porque não tem medo de assalto e nem de violência, pois segundo ele, a multa por briga de rua equivale a uma BMW da segunda série, equivalente a 300 mil yuans, convertendo é uns 230 mil reais. Em minha reflexão, se pararmos pra pensar, colocamos câmeras de vigilância 24 horas dentro de condomínios, e achamos isso excelente. 

Além disso, já somos vigiados 24 horas tanto em áudio, quanto em imagem, e quanto em localização, só fingimos que não. A única diferença é que são empresas privadas ligadas a governos de outros países, o que ao meu ver é pior ainda.

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6) Como é a rotina dentro das universidades chinesas? Existem diferenças importantes em relação às universidades brasileiras? Há práticas ou iniciativas que poderiam ser implementadas no Brasil?

Algo extremamente positivo que chamou a minha atenção são pausas frequentes de 10 minutos durante as aulas. Tenho a impressão de que eles seguiam uma estratégia inspirada no relógio de Pomodoro, da qual o aluno presta atenção por 40 minutos e descansa por 20. Isso é muito importante pois o nosso foco começa a dispersar.

Outro ponto também é que o quadro é interativo, dessa forma o professor conseguia nos dar aula utilizando múltiplas mídias, como vídeos da internet, manipular objetos desenhados no quadro e etc. A maioria dos professores que lecionaram a gente foram muito criativos.

Certamente se somaria muito a nossa educação ter essas pausas frequentes, ainda mais para adolescentes e crianças, que são menos habituados a se forçarem a prestar atenção por longos períodos. Até mesmo nós, adultos, temos dificuldade por conta do consumo de vídeos curtos e diversos do gênero. O quadro também é uma excelente forma de tornar as aulas mais interessantes. Isso não é mais um luxo, é uma necessidade da sociedade contemporânea.

7) Quais tecnologias ou inovações presentes no dia a dia mais impressionaram vocês? Em algum momento vocês tiveram a sensação de que "o futuro já chegou" à China?

Sem o celular, você não é cidadão dentro da China (dentro de Tianjin, pelo menos)! Permita-me explicar: Você até consegue fazer pagamentos com dinheiro físico, mas quase ninguém usa. É como o nosso Pix... só que vai além.

Lá, você utiliza um aplicativo chamado 支付宝 – zhifubao - com o nome estrangeiro de Alipay. Dentro dele, há vários outros aplicativos integrados que servem não só para se autoatender num supermercado ou numa loja, mas também para chamar carro de aplicativo, pegar o metrô, ônibus, e até mesmo para alugar motos e bicicletas públicas.
Imagine que você está cansado de andar e decide chegar de mais rápido em casa, pegando uma moto parada num estacionamento, ou uma bicicleta na calçada.

Você liga seu celular, abre um aplicativo, escaneia o QR code e paga apenas 5 reais por hora para utilizar. Chegando próximo do seu destino, você desce do veículo e desativa o uso pelo celular. O veículo ficará no local onde deixou esperando um próximo usuário que passar por alí. O cenário que acabo de descrever foi o meu cotidiano por 2 semanas.

Eu certamente não consegui explorar todos os usos do Alipay, porém, uma das funções mais inusitadas foi poder pagar uma cadeira de massagem e controlar as opções pelo meu celular. Todos os dias a China me demonstrava como as ferramentas de Tecnologia da Informação podem ser convenientes para nosso lazer coletivo e não só para o trabalho. Espero que nosso futuro se torne o presente deles e pra melhor!

8) Como vocês avaliam a relação entre desenvolvimento econômico, planejamento estatal e qualidade de vida observada durante a viagem? Na opinião de vocês, quais elementos desse modelo poderiam inspirar políticas públicas no Brasil?

Na China, a partir do momento que uma empresa se torna muito rica, o Estado começa a direcionar pontualmente o negócio. Por exemplo, se uma grande empresa de máquinas de lavar começar a produzir demais e não tiver demanda, o Estado vai obrigá-la a direcionar seus investimentos a produzir outros bens de consumo que a população está precisando. Durante a COVID-19, por exemplo, precisava-se de máscaras e, portanto, o governo chinês demandou que empresas de tecnologia também direcionassem recursos para a produção dessa barreira contra o vírus.

Acredito que isso se expanda para a construção de supermercados e farmácias em locais estratégicos visando atender de forma mais eficiente os moradores de determinado local. A China já demonstrou que o controle pontual e bem feito do Estado melhora a disponibilização dos itens e barateia a sua compra. Se, pelo menos, o Brasil fizesse isso com as empresas que são vitais para o nosso sucesso - como as exploradoras de minério, óleo e gás, tanto quanto com empresas que trabalham com a alimentação essencial -, estaríamos rumo a um patamar melhor.

9) Se pudessem trazer uma política pública ou uma experiência observada na China para o Brasil, qual seria e por quê?

Certamente eu traria o planejamento urbano. 
No Brasil, os bairros se constroem de maneira avulsa, as ruas se tornam de difícil acesso e não se reservam espaços verdes em meio a cidade. Isso certamente prejudica a nossa qualidade de vida. É muito importante que o trajeto de casa até o trabalho seja bonito aos olhos; que os lugares da cidade oportunizem relaxar, encontrar outras pessoas e fazer amizades sem ter que gastar dinheiro. 

Nós somos o Brasil, e, lá fora, somos conhecidos pela nossa floresta.
Precisamos fazer jus à fama boa da nossa nação e ter, a cada quilômetro do nosso país, lugares bem planejados e lindos para usufruir.

10) Depois dessa experiência, de que forma a viagem mudou a visão de vocês sobre a China, sobre as relações internacionais e sobre a cooperação entre Brasil e China?

Antes da viagem, eu já tinha noção de que a China era incrível, e que muito do que se dizia sobre ela era uma visão de desconhecimento ou de más intenções para com país. É consequência que isso aconteça devido a barreira linguística, geográfica e cibernética. Ir para a China só me confirmou e me deu propriedade para contar a partir da minha experiência.

Quero que a parceria Brasil-China se torne cada vez mais estreita e favorável ao nosso país. Desejo que também possamos implementar soluções correspondentes a nossa realidade e que tornem o viver de todos os brasileiros mais leve e menos penoso. 

Os Chineses são calorosos e gostam de estabelecer relações de amizade. Eles certamente combinam com o Brasil nesse sentido. Temos muito que aprender não apenas em questão do uso da tecnologia, mas também sobre as virtudes que os chineses carregam em suas mentes e praticam em benefício do todo.

11) Na opinião de vocês, por que ainda existe tanta desinformação e tantos estereótipos sobre a China em parte da imprensa e do debate público ocidental? A experiência vivida por vocês ajudou a desconstruir algumas dessas narrativas?

Um cientista político estadunidense chamado Joseph Nye explicita que um país pode exercer poder de duas maneiras: através de armamentos, exércitos e sanções econômicas, o hard power, ou através de ferramentas de informação e difusão da cultura de um próprio país (Soft Power).

Levando em consideração a teoria desse intelectual, podemos deduzir que, Estados antagonistas querem diminuir a influência chinesa sobre outros países. Para tanto, disseminar informações falsas e estereotipadas sobre a China faz parte de uma estratégia geopolítica de Soft Power. 

Dessa forma, convencer os cidadãos, do próprio e de outros países, de que a China é um lugar sem liberdade, de que ela é um local poluído e etc., é um projeto muito bem pensado, e não pura e simplesmente a vontade de alguém de espalhar caos. É importante pesquisar a fonte e não apenas confiar em alguém que você segue na internet, caso contrário seremos mais facilmente massa de manobra da vontade de outros países.

Muitas pessoas acreditam que não existem igrejas na China continental, fiz questão de ir em uma e gravar minha experiência. Fui a uma Igreja católica belíssima, num grande centro para todos que querem frequentá-la.

12) A China é reconhecida internacionalmente por ter retirado mais de 800 milhões de pessoas da pobreza extrema em aproximadamente quatro décadas, um resultado apontado por organismos internacionais como um dos maiores processos de redução da pobreza da história. Quais evidências desse processo vocês conseguiram observar durante a viagem? É possível perceber esse desenvolvimento no dia a dia das cidades, na infraestrutura, nos serviços públicos e na qualidade de vida da população?

A comida é barata! Você entra no mercado e você percebe que até mesmo as merendas que são caríssimas aqui, como umas batatas chips famosas são menos de 10 yuans. Cansei de tomar sorvetes e picolés muito bem elaborados e gostosos por 2 yuans.

Após intercâmbio, estudante da UNEB revela uma China bem diferente da imagem propagada no Ocidente

Pesquisei sobre o salário mínimo em Tianjin, e ele é de 2.440 yuans. É mais alto que o nosso e possui um ótimo poder de compra. Os shoppings e o turismo são movimentados pelos próprios chineses; os carros que transitam pelas ruas são uns mais lindos que os outros. A partir disso dá pra perceber que a população vive muito bem. Para acrescentar, as praças são lotadas de senhores realizando atividades físicas. É divertido assistir eles dançando.

Depois de voltar da Muralha, todos os intercambistas foram levados para comer num restaurante que você pagava 70 yuans e poderia repetir quantas vezes quisesse. O self-service era extremamente variado. Muitos tipos diferentes de pizzas, sorvetes, pães, entre outras guloseimas. Não é um lugar para se comer todo dia por conta do preço, mas foi um dia memorável que eu queria deixar registrado nessa entrevista. È preciso informar que, não só nesse restaurante, mas em todos locais de alimentação que fomos, nós percebemos desperdício de comida.

Algumas pessoas comiam e deixavam uma quantidade de alimento considerável no prato. Não sei dizer se isso é culturalmente um modo de agradecimento, como uma forma de demonstrar que você comeu até encher.
Outro fato também é que encontramos 3 pessoas em situação de rua em Pequim. O custo para se morar numa capital é elevado e, além disso, podem haver outros motivos para estarem na rua também. Eles não pareciam passar fome. Estavam com seus itens espalhados em um canto, dentro de um shopping acessando seus celulares. Da mesma maneira, em Tianjin, uma colega relatou que encontrou duas pessoas em situação de rua. 

Contudo, precisamos levar em consideração que Tianjin é uma cidade com 13 milhões de habitantes e é 10 vezes maior que Teixeira de Freitas. Hoje na china mais de 90% por centro da população possui casa própria. Isso é um sonho para muitos brasileiros que trabalham para pagar aluguel. A China não é perfeita, mas é certamente um dos melhores lugares do mundo no que diz respeito a qualidade de vida para todo um povo. Pessoas mais pobres na China existem, mas o que eu certamente não vi foi miséria.


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Fonte: Vejaessa – Redação