Aquele beijo de carnaval resistiu às intempéries do tempo e aos excessos sentimentais

O tempo passou, os carnavais ficaram mais elétricos e descartáveis, mas aquele beijo permaneceu gravado na pátina do tempo – smack! – inesquecível. Ele se manteve como lembrança boa ou página não virada.
Mas como, se durante o período carnavalesco, se fala mais em beijação ou pegação do que em beijaço ou declaração de amor? Quando os foliões, inebriados de Baco e hipnotizados pelo Demo, se entregam à folia de maneira desregrada e inconsequente?
Mas como, se na avenida ou na praia, nas micaretas ou nos blocos, a beijação corre solta no atacado, a preço de banana, e ninguém é de ninguém?
Mesmo assim, aquele beijo (que beijo!) ficou marcado para sempre… Ele resistiu às intempéries do tempo e aos excessos sentimentais que, passado o fogo do primeiro round, sucumbem à frieza do dia seguinte.
É que aquele beijo estava escrito nas estrelas… “Written in the stars”, como se diz na língua de Shakespeare!
O beijo existe desde os primórdios e, como tal, presidiu à celebração do amor e da paixão entre homem/mulher, folião/foliona, arlequim/colombina… Beijar é tão natural quanto andar pra frente e pra trás, no público e no privado, mantidas as devidas conveniências.
Clique aqui e participe do Canal VEJAESSA no WhatsApp
Durante o Renascimento, beijar uma pessoa na boca era um ato corriqueiro e funcionava como uma forma de saudação. Na França, no século XV, os nobres podiam beijar quem bem quisessem… Querer era poder em termos de ósculo – sinônimo estranho de beijo.
Atualmente as pessoas trocam, em média, 24 mil beijos de todos os tipos ao longo da vida. Agora, pense num povo beijoqueiro por natureza… Se você pensou no brasileiro, acertou na mosca!
Agora imagine o recorde de pessoas se beijando ao mesmo tempo. No Brasil, tem precedente… Em abril de 2009, 8.372 casais se beijaram a um só tempo durante o Axé Brasil, evento realizado em Belo Horizonte.
Passado o beijo coletivo, porém, não havia restado nem poeira da beijoca, nem sinal das bactérias que habitam a saliva, muito menos vestígio das endorfinas, hormônios responsáveis pela sensação de prazer.
Uma encenação nada comparável àquele beijo de carnaval que, apesar dos anos decorridos, continuou com sabor de fruta mordida – diria Cazuza. Ou como presente do destino – diriam os fatalistas.
..............
Fonte: Por Almir Zarfeg


