Celebração literária, diálogos e confissões na nova obra de Luiz Otávio Oliani
Por Erivan Santana*
O poeta Erivan Santana com exemplar de "Eu me sinto um criminoso e outras crônicas" — Fotos: Divulgação
Ao ler “Eu me sinto um criminoso e outras crônicas” (Ventura Editora, 2025), livro mais recente do professor e Escritor Luiz Otávio Oliani, identifiquei-me imediatamente com várias de suas angústias e reflexões sobre a literatura atualmente – mas também com a celebração da importância que ele dá à literatura, prática comum àqueles que a valorizam, sejam como leitores ou autores, enfim, amantes dos livros.
Ora ele nos fala como autor, ora como leitor, ou até mesmo na perspectiva de proprietários de sebos e livrarias, cada dia mais difíceis de serem mantidos na era da internet.
No título que dá nome ao livro “Eu me sinto um criminoso”, Oliani se sente culpado por adquirir livros de autores renomados a um real em um sebo – fato que também já foi motivo de muitos questionamentos meus.

À primeira vista, pode parecer algo banal, mas isto demonstra o absurdo do mundo em que vivemos, a chamada “sociedade do espetáculo” ou “panis et circenses”.
Diálogos metalinguísticos também são contemplados, como na crônica “Além do que é dito”, onde ele discute questões de ordem semântica na poesia, ao afirmar que o texto poético prescinde de explicações, citando Lawrence Ferlinghetti: “Se um poema precisa ser explicado, falhou em sua função”.
E assim, o autor estabelece um constante diálogo com o leitor, convidando-o a participar de suas confissões, muitas delas presentes em todos nós.
A crise da leitura frente ao advento da internet, a dificuldade de publicação para o autor independente, a função – e a falha da escola e da família — em formar leitores, e claro, a celebração da literatura, estão também presentes neste livro de crônicas.
Diga-se de passagem, textos minimalistas, mas profundos em reflexões e contribuições a toda a dinâmica que envolve a literatura e o fazer literário.
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Em “Testemunho”, já finalizando o livro, Oliani nos dá uma visão conceitual e interessante sobre a literatura, ao dizer que o escritor é testemunha do tempo em que vive, ao registrar a sua concepção de mundo, o contexto histórico e social em que vive.
O registro está feito, cabe-nos celebrar junto ao ilustre cronista toda a grandeza e poder da literatura, arte da palavra que imortaliza o tempo e a história.
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Erivan Santana — é professor, poeta e cronista. Autor de obras como “Cartas teixeirenses, ba” (Lura Editorial, 2023), ele ocupa a cadeira 35 da Academia Teixeirense de Letras (ATL).
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Fonte: Artigo — Por Erivan Santana



