Curso de Pedagogia da UNEB/Campus X realiza seminário LIBRAS? QUE LÍNGUA É ESSA?
Conhecendo a libras e as dificuldades de acessibilidade da comunidade surda de Teixeira de Freitas
Fotos: Kaleb Lima Neves, Soraya Emanuelle da Silva Leite Ribeiro, Jéssica Fontes Santos Costa e Ângela Márcia da S. Souza
Aconteceu no último dia 26 de abril, no auditório da UNEB/Campus X, em Teixeira de Freitas o Seminário “Libras? Que língua é essa?” organizado pela profª Soraya Emanuelle Ribeiro, docente do Curso de Pedagogia/UNEB e pelos (as) discentes do IX semestre do Curso de Pedagogia, com a presença e efetiva participação da comunidade surda. Foram convidados palestrantes de diversos segmentos.
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Para garantir a acessibilidade da comunidade surda, os intérpretes de Libras Prof. Josiano Mendes, Clécia Costa Novais, discente do VII período de Pedagogia e a profª. Emanuelle realizaram as interpretações da Língua Portuguesa para Libras e vice-versa durante todo o Seminário.

Priscilla Neves Lima (pessoa surda - atual presidente da Associação de Surdos de Teixeira de Freitas - ASTEF), discutindo a temática “O surdo e as barreiras na comunicação”. Relatou no seminário que aprendeu Libras somente aos 23 anos, afirmando que, “a inclusão das pessoas surdas que, não oralizam, e se comunicam, exclusivamente, através da Libras, acontece quando as pessoas sabem se comunicar em Libras ou proporciona acessibilidade através de um profissional intérprete de Libras.” A realidade local é que poucas pessoas sabem se comunicar em Libras e em grande parte dos locais de atendimento ao público não tem acessibilidade para as pessoas surdas. Ainda segundo Priscilla, que é a primeira mulher a assumir a presidência da Associação de Surdos de Teixeira de Freitas, sente-se motivada pelo esposo o prof. Josiano Neves, intérprete de Libras.

O professor Josiano Neves palestrou no seminário com a temática “Intérprete de Libras e os desafios da profissão”. Afirmou o mesmo que, “é um grande desafio encarar a burocracia para conseguir beneficiar os surdos e atender às demandas, mas está otimista e sonha com uma sociedade mais inclusiva”. Ambos declaram que, o seminário foi uma ótima oportunidade de levar informações sobre a comunidade surda aos futuros professores e professoras e a outros participantes do Seminário, e que eventos como esse, ajudam a disseminar a Libras e mostrar algumas vivências das pessoas surdas no dia a dia”.

Priscilla aproveitou para falar no seminário da urgência de se implementar uma central de intérprete de Libras para atender às demandas da comunidade surda Local, pois afirma que, “temos recebido diversas denúncias dos surdos de Teixeira de Freitas sobre a falta de acessibilidade em locais públicos como hospitais, delegacia, SAC, bancos e muitos outros estabelecimentos.“

O vice-presidente da ASTEF, Prof. Esp. Daniel Gomes, pessoa surda, também sócio da Escola que tem a Libras em seu currículo escolar, Centro Educacional Recriar em Teixeira de Freitas (CER), diz que, “ainda nos dias atuais, os surdos passam por muitas dificuldades relacionadas à acessibilidade em diversos ambientes, sejam eles educacionais, locais públicos, hospitais, delegacias, entre outros, no qual precisam se comunicar, porém não tem profissionais capacitados atendê-los. Neste contexto, o Seminário foi de suma importância, pois eventos como esses são para dar visibilidade às lutas da comunidade surda em avanço de direitos”.

Também participou, palestrando, a Profª. Mestra e Doutoranda em Linguística Daniele Barreto, docente do IF Baiano/Campus de Teixeira de Freitas que, assim declarou: “O Seminário promovido pela turma do IX período de Pedagogia da UNEB/Campus X é um espaço de muita relevância, pois a partir das reflexões e aprendizagens a respeito das pessoas surdas e respectiva cultura, bem como o entendimento sobre as barreiras comunicacionais enfrentadas por estas pessoas, os participantes do evento tornam-se multiplicadores e agentes de transformação inclusiva em meio à sociedade excludente. Daniele ressalta outro aspecto também relevante que é a oportunidade, enquanto professores, de reflexão sobre o acolhimento da multiculturalidade surda na práxis docente e necessidade constante de construções, desconstruções, reconstruções de conceitos e o debruçar sobre pesquisas que instrumentalizem processos significativos de aprendizagens”.

Na mesma semana do seminário, no dia 24 de abril, foi comemorado os 22 anos da aprovação da Lei de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), publicada sob o N° 10.436, em 24 de abril de 2002, reconhecendo no Brasil como a língua Oficial das comunidades surdas brasileiras. No entanto, muitos são os desafios enfrentados pela comunidade surda teixeirense, conforme explicitado no Seminário. A Lei de Libras foi regulamentada através do Decreto Lei N° 5.626 de 22 de dezembro de 2005 vem regulamentar e estabelecer a Libras como disciplina curricular obrigatória.

A UNEB/Campus X, vem buscando meios de Implementar o que diz a Lei 5.626/2005, nesse ano de 2024, a Profª Sabrina Evangelista (pessoa surda) concluiu sua graduação em Matemática e pôde contar com o acompanhamento efetivo do Colegiado do Curso e da UNEB/Campus X, com o apoio de intérprete que a acompanharam durante seu período de formação, sendo um deles o prof. Josiano Neves. O desafio que ela enfrenta agora é a oportunidade de trabalho como professora nas escolas de Teixeira de Freitas-BA como declarou no Seminário.
No ano de 2023 a UNEB também abriu seleção de professores para lecionar a disciplina de Libras como disciplina obrigatória no Colegiado de Pedagogia, bem como a disciplina de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva como regulamenta também o Estatuto da Pessoa com Deficiência Lei N° 13. 146 de 06 de julho de 2015.

A coordenadora do Curso de Pedagogia, a profª Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho, parabeniza a iniciativa da professora e dos discentes, ressaltando que, debates como esses contribuem para que não só conheçamos as problemáticas vivenciadas pela comunidade surda, como também repensemos nossas práticas no âmbito da formação de educadores (as), na perspectiva da materialidade da Política de Inclusão e Acessibilidade da UNEB, principalmente no cumprimento da Resolução Nº 1.521/2022, publicada no DOE de 08.07.2022, p. 29, que autoriza a atualização da Política de Acessibilidade e Inclusão para Pessoas com Deficiência, Transtorno Global do Desenvolvimento, Transtorno do Espectro Autista, Altas Habilidades e outras necessidades específicas temporárias e permanentes de caráter acadêmico e laboral, no âmbito da UNEB.
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Fonte: Profª Esp. Soraya Emanuelle da Silva Leite Ribeiro (UNEB/Campus X)


