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Ernani Robison, primeiro grande poeta itanheense, morre aos 62 anos de parada cardíaca

12 de novembro de 2023

Ernani Robison, primeiro grande poeta itanheense, morre aos 62 anos de parada cardíaca

O primeiro grande poeta itanheense faleceu na tarde do último sábado (11), em Teixeira de Freitas, aos 62 anos. O corpo de Ernani Robison Barbosa de Assis foi velado na manhã deste domingo (12), na Capela da Ressurreição de Itanhém, e sepultado na parte da tarde no cemitério local. O presidente da Câmara de Vereadores, Renato Medeiros Correia, decretou três dias de luto oficial.

Robinho do Fórum, como Ernani era mais conhecido, lutava havia anos contra o diabetes e seus efeitos terríveis sobre o corpo. O poeta veio a óbito após uma parada cardíaca, mas deixou uma obra filial e literária bastante significativa. São quatro filhos adolescentes (dois rapazes e duas moças) e um livro de poemas publicado originalmente em 1995.

Na verdade, Robinho era natural de Barra de São Francisco/ES, onde nasceu em 2 de setembro de 1961, mas, ainda criança, trocou o Espírito Santo pela Bahia, vindo a residir com sua família em Ibirajá, distrito do município de Itanhém.

 

Ernani Robison, primeiro grande poeta itanheense, morre aos 62 anos de parada cardíaca
O então vereador Audrey Correia homenageando o poeta Robinho em 2018

Em Ibirajá, o menino cursou o primário e, em 1972, já em Itanhém, se matriculou na 5ª série – do ensino ginasial – da Escola Polivalente. Trata-se da histórica 1ª turma da escola que fez sucesso em Itanhém e região. Depois, ele cursou o 2º grau no Colégio São Bernardo.

Em Itanhém, o jovem Robinho se tornaria muito querido de todo mundo, graças à sua desenvoltura como cidadão, desportista e poeta. Ainda durante a década de 80, ele viria a ser servidor público estadual, como oficial de justiça e avaliador judicial da comarca de Itanhém e Vereda. E também constituiria sua família.

Por causa do talento literário e das muitas leituras, Robinho se destacou nos primeiros concursos literários realizados na cidade. Desses textos, chama a atenção o poema “Gemidos, um canto de amor e mais”, composto em 1981 e que seria o carro-chefe do primeiro e único livro de poemas impresso por ele, de forma artesanal, em 1995.

 

Ernani Robison, primeiro grande poeta itanheense, morre aos 62 anos de parada cardíaca
Almir Zarfeg com exemplar da 2ª edição de "Desenhei em versos o Água Preta"

Anos depois, o também poeta itanheense Almir Zarfeg escreveu que “Gemidos é simplesmente insuperável”. Fã de Robinho, Zarfeg cuidou da 2ª edição comemorativa de 25 anos da obra, em 2020, com direito a ISBN e chancela da Editora PerSe.

Enelita Freitas prefaciou o livro intitulado “Desenhei em versos o Água Preta”, republicado sob o pseudônimo João da Terra de Itanhém. O autor recebeu também uma Moção de Aplauso da Academia Teixeirense de Letras (ATL), então presidida por Zarfeg.

Antes disso, em 2018, durante as homenagens ao 60º aniversário da emancipação política de Itanhém, o poeta Robinho foi incluído na lista das 60 personalidades mais relevantes da história itanheense. Ele se fez presente para receber a justa homenagem.

Mais que causar sensação nos anos 80 e 90 em Itanhém, portanto, Robinho fez muito mais. Ele abriu caminho para outros tantos autores que viriam, tais como Almir Zarfeg, Maurício de Novais, Cássia Oz, Erivan Santana, Jan Clésio e Wilton Soares – seja no verso ou na prosa –, para citar esses nomes.

“Robinho foi um dos meus primeiros amigos; que ele seja acolhido pela espiritualidade e receba todo amparo nessa passagem”, escreveu Wilton no Grupo Amigos de Água Preta (GAAP) no Whatsapp. Wilton ainda compartilhou “Gemidos” em forma de áudio.

O vereador Sasdelli Resende Afonso, que ajudou na viabilização do Decreto Legislativo de nº 09/2023, não economizou nos elogios ao já saudoso Ernani Robison Barbosa de Assis: “Fez muito por Itanhém e, por isso, será sempre lembrado pelos amantes da cultura, música, literatura e esportes”.

Consta que, além de poemas, Robinho teria escrito alguns contos que estariam sob os cuidados da família. Uma vez reunido e avaliado, esse material poderá ganhar as páginas do livro póstumo do autor.

“Temos todo o interesse em conhecer esse material inédito e, se for o caso, dar publicidade a ele”, afirmou Zarfeg.


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Fonte: Redação