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Nesta sexta-feira (26) o Poetrix completa 26 anos de história e experimentação

26 de setembro de 2025
Nesta sexta-feira (26) o Poetrix completa 26 anos de história e experimentação

O poeta baiano Goulart Gomes, inventor do Poetrix, durante sessão de autógrafos — Fotos: Divulgação

Nesta sexta-feira (26/09), o Poetrix completa 26 anos de história, experimentação e evolução estética. Ele surgiu durante a 3ª Bienal do Livro da Bahia, no Centro de Convenções em Salvador-BA, no dia 26 de setembro de 1999, durante o lançamento do livro “Trix – poemetos tropi-kais”, do poeta baiano Goulart Gomes. Estava oficialmente criada a forma poética que viria a se tornar conhecida como Poetrix.

Como se depreende do título da obra, ela era composta por pequenos textos poéticos, formados por uma única estrofe que, por sua vez, apresentava apenas três versos – o terceto. Na prática, Goulart trazia uma coletânea de poemas minimalistas semelhantes aos “hai-kais” japoneses. Mas a semelhança era mais formal do que temática, uma vez que o texto nipônico é composto por três versos que tematizam as estações do ano e/ou a natureza.

Nesta sexta-feira (26) o Poetrix completa 26 anos de história e experimentação

Expoentes do Poetrix: Goulart Gomes, Lorenzo Ferrari, Pedro Cardoso, Marcelo Marques e Andréa Abdala

Coube ao pesquisador Aníbal Beça chamar a atenção de Goulart para o fato de que os poemas de “Trix” eram tudo, menos haicais. Aquela conversa motivou o poeta baiano a pensar numa solução estilística ou numa saída estética para a preciosidade que havia acabado de inventar – precisando de aperfeiçoamento – e seria batizada de “Poetrix”.

De lá para cá, a nova forma poética se firmou nos cenários nacional e internacional. Goulart Gomes vem cumprindo o papel não só de criador, divulgador e líder, mas sobretudo de teórico do Movimento Internacional Poetrix (MIP), que, a partir de 2020, foi substituído pela Academia Internacional Poetrix (AIP).

Já no 1º Manifesto Poetrix, de 1999, são anunciados os pré-requisitos da nova modalidade poética brasileira. Enfim, para se fazer um bom Poetrix, é preciso seguir alguns passos: o título é desejável, mas não exigível; não existe rigor quanto ao número de sílabas, métrica ou rimas; o uso de metáforas e outras figuras de linguagem são uma constante, assim como a criação de neologismos; a interação autor/leitor deve ser provocada através da subliminaridade do Poetrix.

Além disso, ficou consolidado que o Poetrix é necessariamente uma arte minimalista, ou seja, que procura transmitir a mais completa mensagem com o menor número de palavras. “O mínimo é o máximo”, slogan do movimento. Inclusive considera que passado, presente e futuro como uma só dimensão temporal, podendo ser utilizada indistintamente.

No 2º Manifesto Poetrix, de 2002, algumas questões foram retomadas e algumas decisões tomadas, como a exigência do título do Poetrix, que na primeira versão do manifesto era facultativa. “Fora do título não há salvação”, diz o novo mandamento.

Mais descontraído e menos impositivo, Goulart agora argumentava com leveza e expunha com simpatia: “Vamos privilegiar a inteligência do leitor! Que ele morda, mastigue, engula e faça a digestão. Que se vire! Abaixo os derramamentos da poesia fast-food! Dizer muito, falando pouco. Concisão e coerência. Exploremos os significados polissêmicos das frases, a riqueza semântica das palavras, valorizemos as metáforas”.

Ele prosseguiu: “O Poetrix é um projétil que se aloja na alma. O Poetrix é um vírus em nossa memória discursiva. É a suprassíntese. Viva Bakhtin, Kristeva, Calvino, Oswald e Drummond!” A referência a Oswald de Andrade não é mera coincidência.

Ele concluiu: “E viva o Poetrix! Viva a alegria e viva um planeta chamado Bahia! Viva eu, viva tu e viva o rabo do tatu!”

Sempre investindo no Poetrix como uma novidade literária e, especialmente, como uma nova conquista da poesia brasileira, Goulart seguiu discutindo a nova forma poética em textos teóricos e elucidativos ao mesmo tempo, como “Bula Poetrix”, em que já começa dizendo que “O hai-kai é uma pérola; o Poetrix é uma pílula”. A intenção não é outra senão esclarecer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Enfim, as duas formas apenas se parecem, mas são diferentes em essência.

Nesse manual são prescritas algumas contraindicações: evitar as orações coordenadas; não confundir Poetrix com haicai (é óbvio); conjunções empobrecem o Poetrix; não forçar rimas (Poetrix não é trova). Por último, mas não menos importante: Poetrix não é provérbio (muito menos frase de para-choque de caminhão)!

Nesta sexta-feira (26) o Poetrix completa 26 anos de história e experimentação

Almir Zarfeg exibindo Agenda Poetrix 2025, editada pela Ciranda Poetrix

Paralelamente, foram editadas as Antologias Poetrix, como canal eficiente para divulgar os textos, atrair público e valorizar os Poetrixtas. Os concursos internacionais, cuja 9ª edição aconteceu em 2024, também obedecem à mesma estratégia: divulgar o movimento e envolver os entusiastas do poema minimalista.

“Comecei a praticar Poetrix há menos de dois anos e, nesse tempo, venho progredindo e, inclusive, me tornei membro efetivo da Ciranda Poetrix”, afirmou Almir Zarfeg, poeta veterano e aprendiz convicto de poesia minimalista.

Zarfeg produziu os dois textos que seguem especialmente para o Dia do Poetrix, celebrado neste 26 de setembro:

 

PROFISSÃO DE FÉ

O Poetrixta excita o instante

Esta sexta jamais seria gorda!

Outubro ou nada no terceto

 

= =

ANTENA DA RAÇA

Brava gente mui antenada 

O mínimo está por um triz!

Goulart e Lorenzo a postos

 

Para conhecer melhor o Poetrix e os Poetrixtas, visite os portais da Academia Internacional Poetrix e a Ciranda Poetrix.

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Fonte: Redação — Vejaessa