Nova Viçosa debate impactos da lama de Mariana e cobra reconhecimento da Bahia como afetada
Audiência Pública realizada na Câmara Municipal de Vereadores de Nova Viçosa - Fotos: Judson Sabbadini
O município de Nova Viçosa, em parceria com a Câmara de Vereadores, realizou no dia 18 de fevereiro de 2025 uma Audiência Pública para discutir os impactos socioambientais da contaminação causada pelos rejeitos da barragem de Mariana (MG). O evento também abordou a ausência do reconhecimento oficial do estado da Bahia como região atingida pelo desastre.
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Estiveram presentes autoridades locais e de outros municípios impactados, como Mucuri, Caravelas, Alcobaça e Prado, além de representantes de ONGs ambientais, pescadores, marisqueiros, colônias de pescadores, advogados e moradores de Nova Viçosa.
Prefeita destaca importância da mobilização

A prefeita Luciana Machado ressaltou a relevância do encontro para reforçar a luta pelo reconhecimento da Bahia como estado atingido. Segundo ela, além de fornecer informações técnicas e jurídicas sobre o desastre e seus impactos, a audiência foi uma oportunidade de demonstrar que o município não está omisso diante da situação.
"Temos dado apoio ao movimento dos atingidos para garantir participação em eventos e reforçar a necessidade de reconhecimento da Bahia como afetada", declarou a prefeita.
Painelistas discutem desafios jurídicos e ambientais
O evento contou com a participação de cinco especialistas que abordaram diferentes aspectos da tragédia e suas consequências:
Dr. Jerri Crestan
-- Dr. Jerri Antônio Crestan, procurador-geral de Nova Viçosa, explicou a existência da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 1178), movida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que questiona a legitimidade dos municípios atingidos em processos internacionais. Ele alertou que uma decisão desfavorável do Supremo Tribunal Federal (STF) poderia comprometer a capacidade dos municípios de buscarem indenizações no exterior.
Secretária de Meio Ambiente e Turismo de Nova Viçosa Carla Beatriz
-- Carla Beatriz, secretária de Meio Ambiente de Nova Viçosa, detalhou as medidas adotadas pelo município para monitorar e minimizar os impactos da contaminação nas praias locais.
-- João Carlos Alciatti, técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), apresentou os resultados das pesquisas conduzidas na Bahia, que identificaram contaminação no mar e impactos na biota local.
João Carlos, representante do ICMBIO
-- Dr. Elias, advogado, reforçou que os municípios do extremo sul da Bahia ainda não foram incluídos no Acordo de Repactuação homologado pelo STF, o que prejudica o acesso às indenizações.
Dr. Guy Robson (Pogust GoodHead)
Dr. Guy Robson, sócio do renomado escritório inglês Pogust GoodHead, que representa mais de 700 mil atingidos, incluindo 42 municípios brasileiros, destacou que o julgamento da Ação na Inglaterra está na fase final e que há evidências claras da responsabilidade das mineradoras.
"Na Bahia, os impactos do desastre estão escondidos no mar, em partículas na água e nos prejuízos financeiros da população. Precisamos mostrar que, mesmo invisíveis, os danos existem", afirmou o advogado.
Dr. Guy Robson e Dr. Jerri Crestan
O desastre de Mariana
A barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, rompeu-se em 5 de novembro de 2015, na cidade de Mariana (MG), matando 19 pessoas e destruindo o distrito de Bento Rodrigues. A lama tóxica percorreu o rio Doce, afetando Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, causando um dos maiores desastres ambientais do Brasil.
Apesar dos impactos comprovados, a Bahia ainda não foi oficialmente reconhecida como estado atingido, ficando fora do Acordo de Repactuação, que define indenizações e medidas de recuperação ambiental.

A Audiência Pública em Nova Viçosa representa um marco na busca pelo reconhecimento da Bahia como afetada e na pressão para que o acordo seja revisto, garantindo a inclusão dos municípios baianos nas indenizações.
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Fonte: Redação - Com informações da Ascom/PMNV


