Presidente da Comissão de Defesa da Mulher revela números alarmantes da violência doméstica no Brasil
Gabriella Comper, presidente da Comissão de Defesa da Mulher em Teixeira de Freitas-BA — Fotos: Divulgação
por Luiz Oss
Durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, os números revelam uma realidade que ainda assusta e exige atenção permanente da sociedade e do poder público.
Em entrevista ao jornalista Luiz Oss, a advogada Gabriella Comper, presidente da Comissão de Defesa da Mulher, chama atenção para os dados mais recentes sobre a violência doméstica e familiar no Brasil e destaca a dimensão de um problema que atinge milhões de brasileiras.
Segundo os dados apresentados por Gabriella, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar em 2025. Quando esse número é distribuído ao longo do ano, a dimensão da violência se torna ainda mais impressionante.
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“São aproximadamente 10.137 mulheres por dia, 422 por hora e cerca de sete mulheres por minuto. Ou seja, aproximadamente sete mulheres sofrem violência doméstica ou familiar a cada minuto no Brasil.”
A advogada ressalta que, por trás de cada número, existe uma mulher e uma história marcada pela violência. Para ela, transformar os dados em uma perspectiva de tempo ajuda a sociedade a compreender a urgência do problema.
“Quando falamos em milhões de vítimas, às vezes não conseguimos dimensionar o tamanho dessa realidade. Mas quando percebemos que, a cada minuto, aproximadamente sete mulheres podem estar sofrendo algum tipo de violência doméstica ou familiar, entendemos que estamos diante de um problema gravíssimo”, afirma Gabriella.

Feminicídios também preocupam
A violência contra a mulher também apresenta sua face mais extrema nos casos de feminicídio. Em 2025, 1.470 mulheres foram assassinadas por razões relacionadas ao gênero, uma média de aproximadamente quatro mulheres mortas por dia.
“Os números de feminicídio também são extremamente preocupantes. Estamos falando de 1.470 mulheres assassinadas em 2025. São aproximadamente quatro mulheres mortas por dia em razão de uma violência que, muitas vezes, acontece dentro de uma relação de proximidade e confiança”, destaca a presidente da Comissão de Defesa da Mulher.
Para Gabriella, os feminicídios não podem ser analisados de forma isolada, já que frequentemente estão relacionados a um histórico de agressões, ameaças, controle e outras formas de violência.
Violência vai além da agressão física
A presidente da Comissão de Defesa da Mulher lembra que a violência doméstica e familiar não se resume às agressões físicas. Ela pode ocorrer de diferentes formas, incluindo violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.
“É importante que as mulheres reconheçam os diferentes tipos de violência. Muitas vezes, a violência psicológica, o controle, a humilhação, a ameaça e a violência patrimonial são naturalizados, mas também fazem parte desse ciclo de violência”, explica.
Nesse contexto, o acesso à informação e à rede de proteção é fundamental para que as vítimas possam reconhecer a situação e buscar ajuda.
Agosto Lilás reforça necessidade de prevenção
Criado para ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher e fortalecer o enfrentamento ao problema, o Agosto Lilás também representa um momento de mobilização social.
Para Gabriella Comper, entretanto, o combate à violência não pode ficar restrito ao mês de agosto.
“Esses números reforçam que a violência contra a mulher continua sendo um grave problema de saúde pública e de direitos humanos.”
Segundo ela, é necessário fortalecer permanentemente as políticas de prevenção, proteção e acolhimento das vítimas.
“Precisamos falar sobre violência contra a mulher durante todo o ano. O Agosto Lilás é fundamental para dar visibilidade ao tema, mas a prevenção, o acolhimento e a proteção precisam ser permanentes”, enfatiza.
Os números apresentados pela advogada mostram que o enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo um dos grandes desafios da sociedade brasileira. Mais do que estatísticas, são milhões de histórias de mulheres que precisam de informação, acolhimento, proteção e, sobretudo, do direito de viver sem violência.
“É preciso que a mulher saiba que não está sozinha. Informação, acolhimento, orientação jurídica e uma rede de proteção eficiente podem fazer a diferença para romper o ciclo da violência e garantir uma vida com segurança e dignidade”, conclui Gabriella Comper.
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Fonte: Vejaessa – Redação


