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UNEB/CAMPUS X conclui, no assentamento Terra Vista, a segunda turma de especialização em Educação do Campo

10 de abril de 2024
UNEB/CAMPUS X conclui, no assentamento Terra Vista, a segunda turma de especialização em Educação do Campo
Fotos: Natanael Souza, Solange Brito Santos, Núbia Teixeira dos Santos, Maria da Graça Silveira, e Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho

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No período de 04 a 06 de abril de 2024, ocorreu no Assentamento Terra Vista, Arataca, sul da Bahia, o Seminário de Apresentação/Defesa Pública dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), ao todo 17 trabalhos, apresentados por 24 educandos (as), concluintes do Curso de Especialização Lato Sensu em Educação do Campo, uma parceria da Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus X) com o Centro Acadêmico de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial Paulo Freire (CAECDT/UNEB), a Teia dos Povos, o Coletivo de Educação do Assentamento Terra Vista  e o Centro Estadual de Educação Profissional da Floresta, do Cacau e Chocolate Milton Santos.

UNEB/CAMPUS X conclui, no assentamento Terra Vista, a segunda turma de especialização em Educação do Campo

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O debate da Educação do Campo, em particular acerca das políticas públicas de formação (inicial e continuada) de educadoras (es) nos Territórios de Identidades onde estão situados os campi da Universidade do Estado da Bahia tem sido frequente e permanente. Ainda que, tenha se ampliado nos últimos anos, por meio do Centro Acadêmico de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial Paulo Freire (CAECDT/UNEB), é bastante incipiente. Assim, no primeiro semestre de 2022, através da mediação do CAECDT deu-se início a 06 turmas de Especialização em Educação do Campo em 06 Departamentos da UNEB, em parceria com a Secretaria de Educação da Bahia, concluídas em 2023. No segundo semestre de 2022, deu-se início mais 06 turmas do mesmo Curso, sob a responsabilidade dos Departamentos que ofertaram (Departamento de Educação/Campus XII – Guanambi, Departamento de Educação/Campus XI-Serrinha/CAECDT, Departamento de Educação/Campus X - Teixeira de Freitas e Departamento de Ciências Humanas/Campus XVI - Irecê. O diferencial dessas últimas turmas é que as mesmas se organizaram a partir de parcerias com escolas, movimentos e organizações sociais do campo, principalmente com o MST.

A UNEB/Campus X, em Teixeira de Freitas ofertou duas turmas, uma na sede do Departamento (concluída em julho de 2023) e outra no Assentamento Terra Vista, em Arataca, Bahia (iniciada em setembro de 2022), fruto de uma demanda do Coletivo de Educação do referido Assentamento, a partir de uma experiência de formação continuada vivenciada nessa localidade desde 2015, sob a coordenação das professoras Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho e Maria Nalva Rodrigues de Araújo Bogo, ambas estudiosas, pesquisadoras e militantes da Educação do Campo e da Agroecologia.

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Quanto à organização e regime de funcionamento do Curso, o mesmo funcionou no sistema de alternância, uma vez por mês (de quinta-feira a sábado), durante 15 (quinze) meses, cujo objetivo principal foi formar profissionais em nível de Especialização latu sensu em Educação do Campo que atuam diretamente na rede pública de ensino, educadores (as) populares e sociais que desenvolvam projetos ou ações socioeducativas envolvendo a população do campo, visando a valorização e a qualificação dos profissionais da Educação no e do Campo.

Nos desdobramentos tivemos como objetivos específicos: a) Oportunizar formação continuada em Educação do Campo para o conjunto de professores, técnicos, gestores e educadores sociais que atuam nos sistemas públicos e nas escolas do campo e outros espaços educativos do campo; b) Contribuir na qualificação da Política de Educação do Campo nos Territórios; c) Incentivar a produção de pesquisas na prática docente da Educação do Campo; d) Produzir conhecimento sobre Educação do Campo, qualificando professores, gestores, coordenadores pedagógicos e educadores sociais, a partir de um percurso pedagógico interdisciplinar que provoque o diálogo permanente entre teoria-prática, ensino e pesquisa; d) Oportunizar a articulação entre ensino-pesquisa e extensão por meio da investigação e análise crítica do contexto educacional, propondo soluções aos problemas investigados; f. Mobilizar diferentes profissionais para dialogarem com as questões da realidade do campo, ampliando as possibilidades de maior compreensão e intervenção dos sujeitos locais nos processos em que estão inseridos, fortalecendo seus laços identitários com o seu Território de origem;  g. Ampliar a capacidade analítica, metodológica e de atuação dos participantes na relação com a complexidade e diversidade do Campo; e h) Oportunizar a articulação entre ensino-pesquisa e extensão por meio da investigação e análise crítica do contexto do campo.

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Essa formação continuada Educação do Campo visou proporcionar aos/às egressos/as, professores/as, coordenadores/as da educação básica pública, educadores/as populares, os fundamentos teóricos, metodológicos e práticos, para um fazer político pedagógico que valorize a realidade social dos camponeses e camponesas.

Nos 15 módulos do Curso, os/as cursistas estudaram/debateram temáticas diversas,  tais como: Concepções e Princípios da Educação do Campo, Questão Agrária no Brasil, Fundamentos Teórico-Metodológicos da Pesquisa, Movimentos Sociais e Políticas Públicas Educacionais do Campo, Trabalho e Educação do Campo, Projeto Popular para a Agricultura Camponesa e Soberania Alimentar, Organização do Trabalho Pedagógico nas Escolas do Campo, Educação e Saúde no Campo, Educação Infantil no Campo, Educação de Jovens e Adultos no Campo, Educação Inclusiva nas Escolas do Campo, além de Gênero, sexualidade, juventude e relações étnico-raciais e indígenas no campo. Tivemos ainda Oficinas Pedagógicas (abertas a demais educadores/as do município de Arataca e outros) que enfatizaram: Ensino de Matemática, de Ciências, História, Geografia, Arte e Produção Textual nas escolas do campo. E ainda: Mística, Agroecologia na Educação Básica, Sementes como patrimônio da humanidade, As Escolas da Teia dos Povos e Turismo de Base Comunitária. 

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Os trabalhos de conclusão apresentados são resultado de pesquisas realizadas pelos estudantes no decorrer do Curso, sob a orientação de um (a) professor (a) vinculado à UNEB ou a outra instituição, na condição de colaborador voluntário. Os trabalhos versam sobre temáticas distintas: A luta por Terra, Território e Educação, políticas públicas para Educação do Campo, Avaliação do processo ensino-aprendizagem na Educação do Campo, relação Escola do Campo e Agroecologia, Protagonismo das mulheres no fortalecimento dos territórios e da Educação do Campo, Pedagogia Mulherista, desafios enfrentados pelos (as) professores para a construção da Educação do Campo no Território Litoral Sul da Bahia, desafios para promover a alfabetização científica em Escolas do Campo, Educação inclusiva e as dificuldades enfrentadas nas escolas públicas, dentre outros. Temáticas que emergiram das realidades, das inquietações dos discentes do Curso durante as aulas dos diferentes componentes curriculares estudados.

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Foram três dias de intensos e profícuos debates, com a participação da comunidade assentada, de discentes de Cursos em Alternância do CEEP Milton Santos, graduandos da UNEB, educadores (as) de escolas públicas de Arataca e região. Nesse Seminário a pesquisa foi discutida a partir da compreensão do educador Paulo Freire (2016), que “ensinar exige pesquisa do educador para constatar, intervir e educar. É da natureza do educador progressista indagar e deve estar presente a curiosidade epistemológica em toda sua vida na docência, como uma condição para sua formação permanente. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”.

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Na programação do Seminário estava incluída a avaliação do Curso pelos parceiros na realização do Projeto. Assim, realizou-se, em 05 de abril, às 19h, uma mesa/roda de conversa (precedida de uma Mística apresentada pelos/as cursista retratando as contribuições do Curso) enfatizando “As contribuições do Curso de Especialização Lato Sensu em Educação do Campo para a formação de educadores (as) na região Sul da Bahia”. Participaram os/as seguintes representantes: Profª Drª Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho (UNEB/DEDC-X), Profª Drª Maria Nalva Rodrigues de Araújo Bogo (CAECDT/UNEB), Naiane Silva Santos (Coordenação do Assentamento Terra Vista), Deysiane Almeida Ferreira (Teia dos Povos), Profª Me. Adriene Viana Lima (CEEP Milton Santos), Profª Drª Rafaela Gomes dos Santos (coletivo de docentes do Curso), Airton Baltazar Rocha (Capixaba), agricultor do Assentamento Terra Vista e participante do Curso (como ouvinte) e a discente Solange Brito Santos (Coletivo de discentes da turma e também representando o Setor de Educação do Assentamento Terra Vista).

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Todos/as ressaltaram em suas falas a importância do Curso para a melhoria da qualidade da Educação do Campo no Assentamento, em Arataca e na região. Também enfatizaram a importância da Universidade, Solange Brito Santos, representante da turma e também membra do Setor de Educação do Assentamento Terra Vista, trazendo que durante o Curso foi possível dialogar, debater, trocar experiências sobre o projeto de educação que defendemos e o projeto de educação imposta pela classe burguesa que quer nos aprisionar, servindo aos interesses do capital onde insiste na padronização do conhecimento, sem considerar os saberes populares, tradicionais.   Frisou ainda que, “tenho certeza que meus/minhas colegas, assim como eu, entenderam o verdadeiro sentido da Educação do Campo, pois não basta apenas defender a Educação do Campo, se faz necessário assumir o compromisso com um projeto de vida para além do discurso, com conteúdo e prática, pois a Educação do Campo é um projeto de transformação social e de afirmação existencial dos/as camponeses/as, com saberes próprios e essa  Pedagogia  precisa ser visibilizada, assim como a UNEB fez aqui em nosso Território”. Finalizou sua fala afirmando que o Curso proporcionou o entendimento do nosso compromisso de fazer jus ao nosso protagonismo na educação. “Somos multiplicadoras e multiplicadores desse projeto politico-social-educacional de uma Educação do/no campo. Que possamos continuar firmes nessa luta para que as escolas do campo permaneçam de pé”.

A turma “batizada” como Mayá é uma homenagem à educadora indígena Maria José Muniz Andrade Ribeiro (Mestra Mayá), membra da Teia dos Povos, educadora, liderança política e religiosa da luta Pataxó Hã Hã Hãe, de origem tupinambá, que nasceu e vive no Território Indígena Caramuru Catarina Paraguassu. Mestra Mayá é autora do livro “A escola da reconquista”.

UNEB/CAMPUS X conclui, no assentamento Terra Vista, a segunda turma de especialização em Educação do Campo

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Por fim, almejamos que, os 24 (vinte e quatro) discentes concluintes articulem em suas práticas educativas escolares e não escolares, em seus territórios de atuação, os conhecimentos adquiridos /estudados, na perspectiva da construção de uma práxis significativa e eficaz na área da Educação do Campo, comprometida com o projeto de desenvolvimento do campo que se contraponha à hegemonia do capital, em um fazer envolvendo uma formação teórico-prática, alicerçada em uma abordagem interdisciplinar, que resguarde as especificidades da Educação do Campo, defendida e vivenciada pelos movimentos sociais do campo. 

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Ao som de “cada um, de nós, compõe a sua história [...]” finalizamos o trabalho, acreditando como José Martí, educador cubano que, "o conhecimento liberta” e, por isso, continuaremos nossa caminhada de formação dos sujeitos, na perspectiva de fortalecer as classes trabalhadoras do campo e da cidade, das florestas, dos rios e dos mares.

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Viva a Educação do Campo!
Viva os saberes dos Povos!
Viva a Agroecologia!
  

 


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Fonte: Profª Luzeni Ferraz de Oliveira Carvalho e Profª Maria Nalva Rodrigues de Araújo Bogo (UNEB/Campus X/CAECDT)